
A Galeria de Arte Francisco Franco insere-se no contexto escolar e como tal constitui-se como um projeto pedagógico/didático de caráter cultural, num espaço expositivo: lugar de encontro, de memórias, diálogos e práticas artísticas. Enquanto espaço de galeria com características próprias, privilegiam-se atividades expositivas que dialogam com o lugar, por forma a proporcionar ao visitante em geral, e aos alunos em particular, o experienciar de distintos modos de produção e montagem de exposições ou seja a relação do exposto com o espaço e o ensaio do conceito de residência artística.
As propostas para o espaço da galeria envolvem exposições de criadores com produção local, ou outra; exposições didáticas; encontros e conversas com artistas, designers e arquitetos, sobre as suas práticas, processos criativos e modos de formar; ateliers, workshops e exposições com caráter interdisciplinar integradas no plano anual de atividades e exposições que reflitam o trabalho anual dos alunos das artes visuais.
No ano letivo 2025/2026 a coordenação da Galeria está a cargo do professor de Artes Visuais Pedro Berenguer.
Entre a Flor e a Pele
A exposição Entre a flor e a pele, de Miguel Sobral, reúne um conjunto de obras onde o desenho se afirma como núcleo central da sua prática artística. Predominantemente constituída por desenhos, a exposição evidencia uma abordagem que oscila entre o rigor do traço e a expansão pictórica da mancha, aproximando o desenho, por vezes, de uma dimensão assumidamente pictural. Mesmo nas pinturas — em menor número — o desenho permanece estrutural, visível e determinante, afirmando-se como fundamento da construção da forma e da presença das figuras e elementos representados.
Patente na Galeria de Arte Francisco Franco, entre 26 de fevereiro e 13 de maio de 2026, a exposição propõe uma reflexão sobre o desenho enquanto linguagem autónoma e espaço de experimentação sensível. As obras revelam um contínuo entre desenhar e pintar, onde a linha, a matéria e o gesto constroem imagens que habitam um território intermédio entre o visível e o pressentido. Neste conjunto, o desenho afirma-se não apenas como meio, mas como lugar de pensamento e de revelação, onde a forma emerge entre a precisão e a dissolução — entre a flor e a pele.
A exposição integra ainda uma zona de workshop que prolonga e torna visível essa dimensão processual. Neste espaço, o desenho permanece em aberto, sendo desenvolvido ao longo da duração da exposição e incorporando-se progressivamente no conjunto apresentado. Assim, a exposição não se configura como um corpo fechado e definitivo, mas como uma estrutura em transformação, onde o tempo, o gesto e a prática artística continuam a inscrever-se no espaço expositivo. Aqui, o desenho não fixa — acontece, transforma-se e permanece em aberto.
